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A Galinha Vadia, de António Mota.

 

 

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A Galinha Vadia
Quando a Joana fez anos, a avó deu-lhe uma prenda pouco comum: uma franga pedrês.
A Joana não disse nada. Mas ficou um bocado triste. Ela pensava que a avó ia dar-lhe uma boneca, daquelas que choram sem chupeta.
A Joana meteu a franga no galinheiro depois de lhe ter dado o nome que tinha pensado para a boneca: Clara Sofia.
Deu-lhe um bom punhado de milho e couves partidas aos pedacinhos. E, lentamente, dia após dia, semana após semana, a Joana foi gostando cada vez mais da Clara Sofia. E esta, assim tão bem mimada, tão bem tratada, em poucos meses tornou-se uma galinha vistosa.
Uma tarde, a Joana chamou pela Clara Sofia, mas a galinha não apareceu.
Joana ficou preocupada e esperou pela noite. É que, de vez em quando, a mãe da menina costumava abrir a porta do galinheiro para a bicharada esgaravatar no quintal.
À noite, antes de jantar, foi espreitar o galinheiro. E ficou sem apetite: Clara Sofia não estava lá, tinha desaparecido.
Nessa noite a Joana deitou-se muito cedo, sempre com o mesmo pensamento:
- Se calhar, a raposa papou-a...
Os dias passaram, muitas noites correram. E a Joana foi-se esquecendo da Clara Sofia.
Mas ontem, a meio da tarde, começou aos saltos, contente e admirada com a surpresa.
E o que é que aconteceu?
Só isto: A Clara Sofia apareceu à porta do galinheiro. Mas não estava só...Atrás dela, gordos e amedrontados, vinham dezassete pintos!
 
in "Abada de Histórias", edições Gailivro
 
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  Associação de Professores de Português #na_tua_escola (publicado em 26/10/2002)