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"Atrás de tempo, tempo vem ..." -
A fecundidade pedagógica de Matilde Rosa Araújo
Maria Emília Traça
1. De Matilde Rosa Araújo se poderia dizer que é uma "Mulher-
múltipla".
Como escritora, embora seja fundamentalmente conhecida pela sua obra
para crianças, que já foi objecto de prémios e nomeações várias,
teve a sua estreia num concurso literário para adultos. Publicou
poesia para adultos e para crianças, livros de contos, textos de
crítica literária e ensaios. Professora, são múltiplos os reflexos
que a sua profissão deixou na sua obra narrativa; bastará reler
"A história de Pedro Rua", "O ninho", Laura-Flor",
contos incluídos em As Botas de Meu Pai, ou "A Fita
Vermelha" de O Sol e os Meninos dos Pés Frios.
Como O Cavaleiro Sem Espada, transporta um "desejo de justiça e
de amor não cumpridos". Ser humano sensível, rica de ternura,
solidária, atenta à beleza, ao pequeno pormenor (cf. "O Grilo
de Barcelona"), atenta particularmente às injustiças contra as
crianças e contra os velhos (cf. A Velha do Bosque, O Reino das Sete
Pontas, acredita no poder transformador do encontro entre os seres
humanos, na fortuna da Terra, a "Amizade: sete letras como sete
pontas de estrela".
De Matilde Rosa Araújo guardamos a lição de vida, o acreditar na
criança como ser integral, o querer partilhar a sua sabedoria com os
filhos dos outros, com os filhos que não teve - tal como Maria
Angelina e Raul Brandão, que gosta de citar e cujo Portugal Pequenino
prefaciou.
2. Na sua vida de professora deu-se conta da ausência de
referências, da escassez de livros, da pobreza das bibliotecas dos
responsáveis pela educação infantil, professores e educadores, com
quem foi contactando o que a levou a querer partilhar "as vozes
dos outros". O modo que encontrou para proceder a essa partilha
foi a organização das suas antologias de textos.
Desta faceta, porventura menos conhecida da obra de Matilde, se trata
aqui, da fecundidade pedagógica que dá a conhecer as palavras dos
outros, filtrando-as com o seu olhar e tecendo-as com a sua
sensibilidade. A reflexão pedagógica na obra de Matilde Rosa
Araújo, além do ensaio
Camões, Poeta Mancebo e Pobre - Divulgação, 1ª edição, Prelo
Editora, 1978, e do artigo "Ler Camões com as crianças",
in Palavras, nº 2-3, 1981, pp.69-78, está patente nos seguintes
livros:
As Crianças Todas As Crianças - antologia, Lisboa, Livros Horizonte,
1976
A Infância Lembrada - antologia, Lisboa, Livros Horizonte, 1986
A Estrada Fascinante - Lisboa, Livros Horizonte, 1988
*As Crianças Todas As Crianças
Antologia, Textos de Autores Portugueses
Lisboa, Livros Horizonte, 1979
Esta primeira antologia, publicada em 1979, Ano Internacional da
Criança, tem por título um poema de Rui Belo, posteriormente
incluído em A Infância Lembrada.
Na Introdução Matilde afirma: "A presente antologia tem como
objectivo fazer um rastreio (embora não exaustivo por razões de
ordem vária) de textos que nos falem do mundo da infância".
Procura "juntar variados autores como testemunhas de defesa da
criança"...
Começou por tentar uma arrumação temática dos textos segundo
"A Declaração dos Direitos da Criança" - 1959, em cujo
preâmbulo se lê: "A Humanidade deve dar à criança o melhor de
si própria", o que se revelou impossível uma vez que eles se
interpenetravam em cada página.
"O direito à infância, quando nos foi roubado algum dia,
entrega um mar de amargura pela vida inteira", afirma.
Matilde optou por uma organização em agrupamentos temáticos que
procuram mostrar as injustiças que têm tornado a criança uma
vítima ao longo dos tempos.
Não teve uma preocupação de cronologia na "arrumação"
dos textos que se encontram agrupados nas seguintes subdivisões:
A Criança e os seus Direitos
Os Olhos das Crianças
Nascer?
Crescer? Onde? Como?
Escola que a Vida não sabe
Trabalho em Mãos Pequeninas
Meninos fora do Mundo
Vida e Morte em Corpos Breves
Choveu hoje muito sobre a minha Infância
São 69 textos, de 69 escritores portugueses de Fernão Mendes Pinto
(Peregrinação), Gil Vicente (Comédia de Rubena), Fernão Lopes
(Crónicas) , Luís de Camões (Os Lusíadas) passando por Júlio
Dinis, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, a Eugénio de Andrade
ou Herberto Helder, um longo poema de Matilde intitulado "Os
Direitos da Criança".
Nenhum destes textos foi especificamente escrito para crianças ou
integrado num livro que lhes fosse destinado.
Este livro, de 208 páginas tem na capa e ampliada na contracapa uma
fotografia do rosto de uma criança, despenteada e rota, de olhar
triste e rosto sujo, da autoria de Augusto Cabrita, responsável
igualmente pelas fotografias incluídas em O Sol e o Menino dos Pés
Frios.
*A Infância Lembrada
Antologia
Lisboa, Livros Horizonte, 1986
No Prefácio (pp.9- 1 0) lê-se. "Lembrar a infância para quê?
Porquê? ... Lembrar a infância será ter saudades do que se foi, com
o peso de já ter vivido..."
"Nestas páginas, agora recolhidas, talvez apareça menos a
nostalgia da infância vivida que a tal realidade frustrada de uma
infância ideal que sempre nos acompanha."
E cita João dos Santos: "Cada pessoa guarda em si um segredo. O
segredo do homem é a própria infância."
Para Matilde "Ser criança não é um vácuo, não é uma
promessa com maior ou menor conteúdo..."
A criança traz em si "a disponibilidade transparente e cantante
de água de uma mina. Ela não fez rio mas toda é água e mata a
sede."
Trata-se também de uma antologia de textos de autores portugueses,
organizada em duas partes, incluindo 115 textos no total:
o Porta- 46 textos;
o Memória - 69 textos.
Estão representados sobretudo autores contemporâneos, com
dominância dos poetas. Cito, não exaustivamente, segundo a
sequência em que os seus textos aparecem: Sophia de Mello Breyner,
Eugénio de Andrade, Ruy Belo, Natália Correia, Daniel Filipe,
Sebastião da Gama, Herberto Helder, António Ramos Rosa, Ary dos
Santos, Jorge de Sena, Manuel Alegre, Ruy Cinatti, Mário de Sã
Carneiro, António Gedeão, Fernando Pessoa (ele mesmo e alguns dos
seus heterónimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Bernardo
Soares).
São incluídos dois poemas de Camões, um de Bocage, um de João de
Deus, um de Gomes Leal, um de Afonso Lopes Vieira.
Pertencentes ao grupo de escritores cujos nomes associamos a livros
para crianças estão presentes Maria Rosa Colaço ( "Para um dia
mundial da criança"), Maria Alberta Menéres ( "Já não
sabes se a bola vermelha"), António Torrado ("Os Silos da
Infância"), Irene Lisboa (Voltar atrás para quê?), Ilse Losa
(O mundo em que vivi), textos não concebidos especificamente para um
destinatário infantil.
Contrariamente ao que acontece na antologia As Crianças Todas as
Crianças em que surge só um texto de cada escritor, em A Infância
Lembrada frequentemente um escritor está representado com mais do que
um texto (por exemplo são incluídos 4 poemas de Ruy Belo, 3 textos
de João dos Santos, 3 textos de Miguel Torga, ... )
A capa, com uma pintura em tons quentes representando uma criança, é
alegre e clara.
*A Estrada Fascinante
Lisboa, Livros Horizonte, 1988
No texto introdutório intitulado "Razão do presente
trabalho"(pp. 9- 1 0) se apresentam os objectivos deste estudo:
realizar um trabalho de reflexão sobre Literatura Infanto-Juvenil e
entrecruzar dialecticamente o mundo infância / adulto.
São seus destinatários: "todos aqueles que procurem junto da
infância e da adolescência uma responsabilidade pedagógica através
de tal literatura."
Matilde traça o contexto em que esta obra surgiu: um tempo cultural
em que a Literatura Infanto-Juvenil foi considerada marginal no campo
da literatura e das estruturas pedagógicas.
Trata-se simultaneamente de saberes adquiridos por autodidactismo e de
um conhecimento real da criança e do adolescente através de urna
prática vivida nas escolas.
A estrutura do livro é a seguinte:
Livro I - O Verde Paraíso
Livro II - O Sonho e o Medo
Livro III - Mas há um Mundo Novo
Cada um destes "livros" contém muitos subtítulos que
orientam a leitura.
A ilustração da capa é a reprodução de um quadro de Domingos
Sequeira.
No livro surge a dedicatória. "Para o Professor Jacinto do Prado
Coelho".
3. Dos prefácios e notas introdutórias de As Crianças Todas As
Crianças e de
A Infância Lembrada, ao longo de A Estrada Fascinante, em entrevistas
(cf Jornal da educação, Setembro de 1979, Jornal de Notícias,
Janeiro de 1988, de artigos (cf. "Ler Camões com as
crianças", in Palavras, nº2-3, 1981, pp.69-78, Escreviver), do
testemunho autobiográfico incluído na antologia De que são feitos
os sonhos, se desprendem linhas de força, fios condutores do
pensamento de Matilde Rosa Araújo:
lº A responsabilização dos escritores de livros para crianças:
A. A "não inocência" da Literatura Infantil;
B. O dever de não "infantilizar a infância";
C. A dicotomia estabelecida entre o "escritor que está com a
infância" e o "escritor que escreve em favor
pseudoliterário ."
2º A referência ao tesouro inestimável do Património Oral,
fonte de Literatura, raiz que se torna imperioso reconhecer;
3º O acreditar no "Poder da Poesia";
4º A referência sistemática a "obras fundadoras" da
Literatura Infantil e Juvenil.
lº A responsabilização dos escritores de livros para crianças
A. A "não inocência" da Literatura Infantil
"Ler com as crianças é um acontecimento de importância muito
funda. Ler com. Não é na literatura só para crianças que estou a
pensar. Uma literatura geralmente concebida para um outro mundo que
já não é o nosso ou que possa ser o nosso por um mérito de vida. E
ler uma história, um poema com as crianças - conto, poema que caiba
no seu mundo, não por diminuição ou aviltamento abastardado, mas
pela cristalização séria que à criança convém. Se há literatura
que não seja inocente, a literatura dita infantil é-o menos do que
qualquer outra: ela tem implicações profundas desde há milénios na
educação do homem. Já pela via da oralidade - contos, patranhas,
lengalengas, todas as formas poéticas sujeitas ao canto e à
recitação e já, muito tardiamente, pela afirmação escrita."
(Palavras)
"... e a literatura que se lhe entregará não poderá ser nunca
inconsequente ou falsa. Se não há literatura inocente, a dita
infanto-juvenil sê-lo-á menos do que nenhuma. Joga com um ser muito
frágil e forte a criança." (1988:25).
B. O dever de não "infantilizar a infância"
A crença na necessidade de uma relação pedagógica verdadeira:
"Um ensino utilitário, pressionado pelo tempo, disperso por uma
turma em que nem sempre todos os olhos têm uma cor conhecida para os
olhos que querem ensinar. E esse ensino faz-se geralmente com um
pequeno livro, bem ou mal ilustrado... ( ... ) A criança, desde o
primeiro banquinho escolar precisa de saber que não tem a obrigação
de um livro, mas o amor de muitos livros à sua escolha. E o mestre
tem de os ter, também, de os entender e amar porque deles se
apropriou como meio natural de comunicação da dialéctica que está
vivendo com os seus alunos ...... (pp.72-73)
C. A dicotomia entre o escritor que está com a criança, que
escreve para a criança e com a criança, desperto para o tal segredo
de infância, que sabe tocar esse segredo, (e aqui inclui "com
toda a sua força o acervo de histórias e poesia do património
popular"), o escritor que sabe "pôr em equação as
coordenadas fundamentais da vida, em pranto ou em riso" e o
escritor que escreve em "favor pseudoliterário".
2º A referência ao tesouro inestimável do Património Oral,
fonte de Literatura, raiz que se torna imperioso reconhecer
"Contar histórias, dizer, contar poemas foi acção cultural em
que, naturalmente crianças e adultos se iam empenhando naquela fome
do real e do maravilhoso que sempre construiu o homem pelos tempo
fora. Durante muitos séculos ler com a criança foi a presença de
uma voz com um rosto que contava histórias, que dizia poemas, que
ensinava lengalengas, e, antes de tudo isto, a voz rosto que derrama
ritmos de adormecer..." (1988:17)
"O saber intuitivo do povo (e não só) criou através dos
séculos contos, poemas que proporcionavam este crescer moral: teias
reais e poéticas da vida que com situações que são espelho de
várias imagens, mestres do real e do encantamento. Com eles se
aprende o real do quotidiano com os seus ardis e purezas, o claro e
misterioso aprender do mundo." (1988:114)
"Um conto de fadas trará à criança uma voz para o seu
inconsciente de problemas que ela, de outro modo, dificilmente
compreenderia e, até, aceitaria". (1988:114)
3º O acreditar "Poder da Poesia"
Matilde defende que:
- a impregnação da poesia deve ser feita através dos textos dos
grandes poetas que são propostos às crianças;
- em poesia o essencial não é a compreensão "em primeiro
grau";
- a delimitação por escalões etários, é uma tremenda limitação,
é redutor propor à criança poemas escritos
"especialmente" para crianças.
Apoia-se em palavras de J. P. Gourévitch :"não há uma
verdadeira iniciação da infância à poesia sem o gosto pessoal do
professor, se não for primeiro um problema de formação dos
educadores" ... e de J. Prado Coelho: "Toda a educação
deverá ser poética, como deve ser científica, afectiva, como deve
ser intelectual."
Defende que "a atitude do educador perante a criança que sonha
tem de ser, necessariamente, a atitude de um adulto capaz de olhar o
sonho como a mais presente e natural das realidades: daí o ser-nos
necessária a capacidade de sonhar pois nada se dá que não se
possua."
Conta como foi feita a sua iniciação poética, feita pelo tio João
Porcelana:
"Gostava de contar o que foi para mim Camões, em criança."
..."este tio João Porcelana, da sua janela de casa pobre de
granito, de lá do primeiro andar que ficava sobre o curral dos bois,
casa meio abandonada de homem viúvo, dizia-me de cor os Lusíadas e
muita da lírica camoniana.
Eu sentava-me no granito da latada que fazia dossel de verdes mansos
entre as duas casas irmãs e ouvia. Escutava deslumbrada o Tio João
na sua voz rouca e débil de velho fumador, escutava a sua toada
encantatória que ele só interrompia para de novo iluminar a beata
teimosa."
..." A vida de Camões tem o maravilhoso real de um conto de
fadas."
Matilde diz que só se pode ler Camões com os jovens se tiver havido
desde há muito tempo uma preparação. Vai buscar palavras da
advertência de Antero de Quental no seu Tesouro Poético para
Infância e de João de Barros que em 1930 ousou cometer o
sacrilégio, como ele próprio o designa, de adaptar Os Lusíadas para
as crianças e para o povo. E Matilde fala dos Lusíadas como um conto
de fadas, da leitura que se pode fazer de certas passagens. E não só
este Camões, mas também o de "Descalça vai para a fonte Leonor
pela verdura..."
..."Tão rica de solidão indefesa e de encanto como a Pele de
Burro, ou a filha do rei guardando patos, ou a meio descalça Gata
Borralheira".
E fala das necessidades que a criança tem e das que há que criar à
criança.
"E há versos de Camões que são verdadeiros suportes de
autênticas lições de educação visual e gestual para a
criança".
4º A referência sistemática a "obras fundadoras" da
Literatura Infantil e Juvenil.
Sobre Robinson Crusoé e Alice no País das Maravilhas afirma:
"Todos nós somos Robinson Crusoé (e como é solitária a ilha
da adolescência), todos nós somos Alice a romper no espelho os
esquemas artificiais que nos foram impostos.
Foram livros maravilhosos e em qualquer idade não inocentes. Com
leituras diversas mas com uma profunda riqueza."
Sobre os "clássicos" da Literatura Infantil e Juvenil
Universal, cujos nomes ligamos aos contos escreve:
"Andersen, Grimm e Perrault não contaram pequenas histórias de
anedóticas vidas ou de existências piegas, ou ainda pequenas
histórias de chaves moralizantes para abrir portas de bom
comportamento..." (1988:18)
Sobre o Portugal Pequenino de Raul Brandão e Maria Angelina
afirma que faz a oferta de um saber-memória da infância, que se
trata de um "livro de ponte que não podemos esquecer na
panorâmica da literatura Infanto-Juvenil Portuguesa".
Estabelece um paralelo com Selma Lagerlöf: "Até os títulos se
acusam: através da Suécia (logo lento caminhar), Portugal Pequenino
(voo inquieto de asa breve).
- Raul Brandão e a escrita para crianças: "R.B. está com todo
o seu poder criador num país em que escrever para a criança
(sobretudo um escritor de obra adulta feita) era uma forma de
pioneirismo."
Sobre o Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro:
"... em 1925, Aquilino publicara o extraordinário ROMANCE DA
RAPOSA, criação em que assume uma liberdade de escrita perante a
infância que o não desidentifica como autor mas antes o deixa ser
ele, Aquilino, perante o pequeno leitor num companheirismo de alegria,
de jogo com o real, com o imaginado. Obra perfeita, nem infantilizante
nem piegas, num equilíbrio sadio, obra estruturada em perfeito
equilíbrio.
Romance de meio-dia."
Raul Brandão (Maria Angelina) - Portugal Pequenino, Selma
Lagerlöff - A Maravilhosa Viagem de Nils Holgerson Através da
Suécia, Aquilino Ribeiro - O Romance da Raposa,
"propostas que talvez nos ajudem a descobrir muito sobre a raiz e
função da Literatura Infanto-Juvenil. E, sobretudo, se olharmos a
produção juvenil no contexto da obra inteira de cada um dos
autores." (1985:16)
Considera "As Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo"
de José Gomes Ferreira, publicado primeiro em episódios na revista
para jovens O Senhor Doutor, "uma réplica viril ao, sonho já
tão ousado de Alice". (p.22) (... ) "Entroncada no
maravilhoso da literatura popular que, aliás, José Gomes Ferreira
tão bem conhecia pelo estudo e pela sua comunhão rasgada de leitor,
esta obra é um apelo à pedagogia da imaginação e pela
imaginação." (1988:23)
Desde a escola infantil o educador deve saber que não se deve
matar o sagrado espanto de existir...
Na Floresta-de-Todos-os Espantos, para onde vai o João Sem Medo,
fugindo da aldeia Chora-Que-Logo-Bebes, alguém tinha posto este
letreiro:
"É proibida a entrada a quem não andar espantado de
existir".
Necessário se torna não infantilizar a infância.
Faz referências a outros autores portugueses:
Carlos Amaro (S. João subiu ao trono), António Botto (O meu Amor
Pequenino), Trindade Coelho (Os Meus Amores, O Meu Livrinho), Maria
Rosa Colaço (A Criança e a Vida), Emília de Sousa Costa, Jaime
Cortesão (Cantigas para o Povo e para as escolas), Soeiro Pereira
Gomes (Esteiros), Olavo d'Eça Leal (História de Iratan e Iracema os
meninos mais malcriados do mundo), Maria Lamas (Mulheres do meu
País), Irene Lisboa (Voltar atrás para quê?), Henrique Marques
Júnior, Ana de Castro Osório, Augusto de Santa- Rita, António
Sérgio, Luísa Ducla Soares.
Nota: Este texto é uma espécie de "guião" da
comunicação apresentada no 3º Colóquio A Literatura
Infanto-Juvenil e o Ensino" À Matilde, figura materna,
"essa" comunicação semente para juntar na caixinha que um
dia lhe deram os meninos duma escola do distrito de Santarém.
Maria Emília Traça
(Comunicação apresentada no 3º Colóquio "A Literatura
Infanto-Juvenil e o Ensino", organizado pela Editora Civilização, publicado em
Associação de Professores de Português, escritores #na_tua_escola, com a amável autorização da autora)
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