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Escritor lisboeta nascido em 1944. Formou-se em Direito e abraçou a profissão de advogado. Em 1981 experimenta a literatura, com os "Contos da Sétima Esfera", e não mais a abandona . No ano seguinte é já um escritor premiado, Prémio Cidade de Lisboa, com "O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana".
Até 1986, continua nesta espécie de género, para se estrear como romancista histórico com "A Paixão do Conde de Fróis", do qual recebe o Prémio Dom Dinis (1988) e que conta a história de um jovem aristocrata que se envolve nos conflitos com Espanha, em meados do século XVIII.
Mas, a sua grande obra, aquela a que mais edições obrigou (6) e foi mais premiada, seria o romance "Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde" - Grande Prémio APE (1995); Prémio Fernando Namora (1996); Prémio Pégaso de Literatura (1996) - e que remete o tempo do romance para a Roma de Marco Aurélio, mas com objectivo de falar da actualidade.
No género de conto recebe ainda o Grande Prémio APE (1992) com "Quatrocentos Mil Sestércios" seguido de "O Conde Jano". Também se afirma como dramaturgo com
cinco peças, das quais viu representadas "O Sentido da
Epopeia", "A Rapariga de Varsóvia", "Se
Perguntarem por Mim Não Estou" e "Haja Harmonia".
Apesar de ser considerado um grande estilista das letras portuguesas da nova geração, Mário de Carvalho ainda se destaca pela forma humorística com que as suas personagens enfrentam situações, tocando mesmo o sarcasmo.
Escolhendo entre a sua já vasta obra, os professores podem decidir levar os alunos às ruas da velha Lisboa dos "Casos do Beco das Sardinheiras" e procurar com os jovens as casas velhas, as telhas partidas e deslocadas, os algerozes, janelas de guilhotina, os beirais avançados, as varandas de ferro, as sardinheiras, o chão empedrado, os becos, calçadas e escadinhas de Alfama ou da Mouraria. Talvez encontrem nas roupas estendidas, as ceroulas às riscas com florinhas, um xaile ou avental. Em algumas tabernas ainda se pode jogar matraquilhos ou vir para a rua ganhar ao chinquilho.
Nas tabernas lá continuam o copo de três e a amarelinha a serem servidos ao fim da tarde. O gato Gigas, o Zé Metade com o carrinho de quatro rodinhas, o padre alentejano que acabou por não resolver o problema, todos os personagens fantásticos e verdadeiros surgem em cada esquina dos bairros velhos, onde importa sobremaneira não confundir género humano com Manuel Germano.
Marília Abel
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