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Ainda não estão contentes?
Esta
história
passou-se
numa aldeia
de
macacos,
dessas que
há nos Jardins
Zoológicos,
suponho que
conhecem
o género.
Os macacos,
que
lá vivem,
saltam
de
casa em
casa, zaragateiam
uns com os outros, fazem
momices,
coçam
o piolhinho, enfim entretêm-se.
Entretidos
que estão
nem
ligam
às pessoas,
que
os observam,
tão divertidas
como se estivessem
no Palácio
dos Espelhos,
daqueles
deformantes,
não sei
se
me
faço entender...
Foi
um desses
visitantes
do Jardim
que
me
contou a
história
das
bananas,
história
bem
comprida e
complicada,
mas
que eu
farei
os possíveis
por resumir. Aí
vai,
sem
mais
comentários
nem
delongas.
Quem mais mandava na aldeia não morava
nela. Era o tratador, que todos os dias trazia, num grande cesto, a
ração de bananas para a macacada. Recebido sempre de braços
abertos, o tratador era, como se imagina, muito popular, na aldeia.
Estava, desde há muito, decidido que a cada macaco calhava, por dia,
uma quantidade certa de bananas. Dez, nem mais nem menos!
Dava gosto vê-los, em bicha certinha e ajuizada, para receberem, logo
de manhã, a parte que lhes cabia do muito peso de bananas, que o
tratador carregava, no cesto.
- Dez para ti... Dez para ti... Dez para ti... - distribuía o
tratador.
Mas os macacos, a certa altura - e aqui é que começa, propriamente,
a nossa história - puseram-se a protestar que dez bananas a cada um
não chegavam para vencer a fome.
- Ai não chegam? - resmungou o tratador. - Esperem que já vos
arranjo! Pois, a partir de amanhã, vão passar a ter duas
refeições.
E assim aconteceu. Ao almoço, o tratador
trazia cinco bananas para cada macaco. E, à tardinha, para o jantar,
trazia outras cinco bananas.
A macacada ficou mais satisfeita.
Mas, passado tempo, as contas da barriga continuaram a não bater
certo e os macacos exigiram ao tratador aumento de ração.
- Ai querem mais? - resmungou o tratador. - Não vos chega o que têm?
Pronto: vão ganhar uma nova refeição: a merenda. Passam a comer
quatro bananas ao almoço, duas bananas à merenda e quatro bananas ao
jantar.
A macacaria em peso deu vivas e bateu palmas à generosidade do
tratador. Três refeições de bananas? Que rica vida!
Mas, mesmo assim, tempos depois, a barriga dos macacos protestava que
era pouco.
- Ainda não estão contentes? - resmungou o tratador. Nesse caso, só
vejo urna solução: começar o dia com um belo pequeno-almoço de uma
banana. Depois, ao almoço, comem quatro bananas; ao lanche, duas
bananas; e ao jantar, três bananas. Que acham?
Os macacos estavam encantados. Aquele
tratador era um amigo fixe, o grande protector da macacada.
Só a barriga dos macacos não se conformava com o sistema. Porque
seria?
E houve novos protestos lá na aldeia, mais exigências,
manifestações de desagrado...
- Não sei, francamente, que mais hei-de inventar para vos fazer
felizes - discursou o tratador. - Vendo bem, temos de inaugurar, cá
na aldeia, o regime das ceias de banana, para ver se pega a moda.
E assim foi. O tratador fartava-se de caminhar todo o dia para a
aldeia dos macacos. De manhãzinha, trazia-lhes uma banana. Ao
almoço, três bananas. À merenda, duas bananas. Ao jantar, três
bananas. Finalmente, à ceia, uma banana.
Será que os macacos ainda não estão contentes? Parece que não.
Eles nem sabem bem porquê, mas sentem na barriga que, apesar da boa
vontade do tratador e de tantas refeições por dia, as bananas não
lhes chegam para a fome. Esquisito, não acham?
Entretanto, o tratador continua a fazer contas. Ele tem mais
soluções de reserva. Até, segundo parece, já foi comprar uma faca
de cortar bananas, prevendo novas possibilidades...
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