Parecer sobre a prova final de Português do 9.º ano (Prova 91), 1.ª fase, 22 de junho de 2018

Publicado por a 23/06/2018 em Pareceres, Pareceres sobre exames | Comentários desligados

[Prova] [Critérios de classificação]

A prova nacional de Português do 9.º ano (1.ª fase, 22 de junho de 2018) segue o programa em vigor.
Quanto à estrutura, a prova é constituída por quatro grupos, apresentando algumas alterações relativamente a provas de anos anteriores:

• o Grupo I (Oralidade/Compreensão do Oral – 13 pontos) tem início com a audição de um ficheiro sobre a intervenção num monumento – o Templo de Diana, em Évora – sendo constituído por uma primeira questão de ordenação e por três questões de escolha múltipla.
• o Grupo II (Leitura e Educação Literária– 44 pontos) é constituído por um texto informativo (Texto A) , com perguntas de escolha múltipla e ,uma última, de seleção, sendo de destacar, em relação ao item de seleção, a necessidade de atenção acrescida na audição da peça. O segundo texto (Texto B) apresentado neste grupo, trata-se de um excerto de A Ilíada de Homero Adaptada para Jovens, da autoria de Frederico Lourenço. Relativamente ao excerto são apresentadas questões de interpretação , um item de associação e perguntas de escolha múltipla.
O Texto C consiste num excerto de Os Lusíadas, concretamente de uma passagem do episódio “Consílio dos Deuses”. No que diz respeito a este texto, é de assinalar a maior liberdade concedida na questão 9, na qual se solicita um texto breve – sem indicação do número de palavras a utilizar – acerca da personagem que profere o discurso apresentado. Aqui, o risco, e uma vez mais destacamos o apelo a uma concentração acrescida, prende-se com uma identificação incorreta da personagem que, no excerto, se trata do deus Marte dado, na maior parte das vezes, ser atribuído o destaque à intervenção da deusa Vénus. Por outro lado, é de salientar o fator positivo da ausência de um número limitado de palavras, o que permite maior margem de liberdade aos examinandos que, no entanto, não se deverão esquecer da menção ao termo “breve”.
• o Grupo III (Gramática– 18 pontos) é composto por um item de seleção, e itens de preenchimento de espaços e de escolha múltipla. É de destacar o fator positivo presente na formulação de questões, visto tratar-se de um grupo que leva à aplicação , em detrimento da identificação de classes gramaticais.
• O Grupo IV (Produção Textual – 25 pontos) contempla o texto argumentativo, sendo solicitada uma extensão de 160 a 260 palavras. O tema proposto é o seguinte: “Do teu ponto de vista, é importante estudar o passado da Humanidade?”. A ideia a desenvolver parece-nos adequada para o final do 3.º ciclo , sendo interessante a vertente interdisciplinar patente no título.
A título de conclusão, destacamos os seguintes aspetos : o formato parcial da prova e as cotações apresentam desvios relativamente ao que, até à data, constituía certa norma. Quanto às opções tomadas na prova, assinalamos os seguintes fatores : o apelo às competências de leitura e de escrita, tendo em conta a reflexão ; o apelo ao exercício do sentido crítico; o conhecimento da gramática em contexto, ou seja, na sua aplicação, em detrimento da mera identificação/caracterização de classes gramaticais;   a possível articulação interdisciplinar possibilitada pelo tema do texto argumentativo, como foi referido anteriormente.

Relativamente ao Grupo I (Oralidade/Compreensão) parece-nos importante destacar o seguinte: uma questão de ordenação e três de escolha múltipla sobre um texto em ficheiro áudio afigura-se de extrema dificuldade pois, a fim de poderem responder à questão de ordenação, os examinandos têm de ouvir o texto até ao final não podendo, em simultâneo, resolver os itens de escolha múltipla. Uma terceira audição do ficheiro seria importante, a fim de os alunos terem a possibilidade de confirmar as respostas assinaladas.

Os critérios de classificação afiguram-se equilibrados e objetivos, não suscitando dúvidas.

Tratando-se de uma prova pontualmente inovadora, desconhecemos o impacto de tal inovação nos resultados.

 

Lisboa, 23 de junho de 2018

A direção da APP