O ensino do Português: Um modo de inquietação

Publicado por a 25/06/2018 em Textos para reflexão | Comentários desligados

Aprendizagens essenciais

 

A APP tem participado na discussão das questões do ensino do português a partir de uma atitude aberta, sobretudo enquanto lugar de inquietação pedagógica. Assim, os elementos da direção da APP formaram opiniões fortes sobre questões axiais como: a transversalidade como metodologia na aprendizagem, a cultura literária, o lugar e o modo do ensino da gramática, a didática da oralidade, da leitura e da escrita. Na participação nas Aprendizagens Essenciais, essas posições estiveram necessariamente presentes, à luz das quais propomos um olhar sobre as AE, enquanto etapa no devir do ensino do português.

As situações de aprendizagem serão tanto mais significativas, quanto mais relações conseguirmos estabelecer entre os diferentes domínios e competências da disciplina de Português e entre o Português e as outras disciplinas.

A aprendizagem da leitura faz-se incluindo textos, literária e afetivamente significativos para a criança. A escolha de textos pelo professor é importante para garantir a sua adequação aos diferentes contextos educativos e ao perfil específico dos alunos. Seria desejável que este princípio acompanhasse todo o ensino básico e secundário. Em vez da uniformidade de leituras imposta, alunos e professores escolheriam os textos de um referencial restrito de obras de grande qualidade histórico-literária.

O essencial do ensino da gramática é o trabalho de análise que o aluno faz do material linguístico e não a mera identificação de funções e classificação de casos. Assim, antes de classificar, importa testar, para daí se extraírem conclusões. A observação e experimentação levam, por exemplo, o aluno a descobrir os grupos que podem integrar uma frase, se um certo grupo é exigido na frase ou se é livremente acrescentado, antes de identificarem as respetivas funções sintáticas.

Quanto à oralidade, à leitura e à escrita, interessa que o jovem domine diversas práticas textuais essenciais à sua vida de cidadão, não descurando em nenhum momento a necessária cultura histórica e literária.

As AE consagram, ainda que de modo desigual, algumas destas preocupações. Cremos que importa continuar a trabalhar na área do cânone literário, eventualmente partindo do trabalho feito no programa em vigor, no sentido de expandir as listas de obras, criando mais alternativas aos professores e tratando com mais justiça os grandes escritores da nossa literatura.

Filomena Viegas e Luís Filipe Redes (APP). “Inquietações Pedagógicas: Aprendizagens essenciais”. Jornal de Letras, N. 1245. 20 de junho a 3 de julho 2018.