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A professora estava de pé, a falar junto do quadro, com o giz na mão, quando começámos a ouvir um barulho de motor de avião mas muito mais estridente. A professora levantou a voz. Um minuto depois já era impossível ouvi-la. A professora já berrava quando o Canina saiu do lugar e foi para a janela. Atrás dele, o Manel, o Zé e o Ricardo, a Maria, a Rita, eu, todos corremos para a janela. Tapávamos os ouvidos com as mãos mas os olhos, esses ficavam bem abertos, as testas encostadas aos vidros, as mãos a carregar sobre os ombros uns dos outros. A professora seguiu-nos, olhou por cima das nossas cabeças e deu um grito. Depois virou-se para trás, pulou para a porta, deu a volta à chave e deixou-se ficar, tremendo, de costas para a saída da sala. Foi nessa altura que eu vi um objecto voador cinzento metálico, redondo, de dois andares, não muito grande, talvez do tamanho do Opel velho do meu avô. Girava sobre si próprio e aproximava-se do pátio da escola fazendo aquele barulho medonho. Ao princípio, viam-se as luzes lá dentro mas, de repente, o barulho parou e ficou tudo às escuras. A professora, que estava perto do interruptor, ainda tentou acender a lâmpada do tecto. Em vão. Ouviu-se um clique, dois, três... Nada. A Maria, a Rita e o Ricardo começaram a chorar baixinho. Eu não. Mas tremia e já mal me atrevia a olhar. De repente o Manel, que estava ao meu lado e parecia querer comer o vidro da janela com os olhos, dá-me uma cotovelada no estômago. Do outro lado do vidro estava uma estranha criatura de cabeça triangular, orelhas redondas e largas, do tamanho do abano com que a minha mãe espevita o fogo da lareira quando teima em usar a lenha húmida da quinta. Os olhos eram escuros, sem pálpebras nem pestanas, mas a pele era rosada, meio avermelhada, até... Tinha rugas, ou antes, pregas nas bochechas e no queixo. Estava eu assim a observá-lo, mais curioso do que assustado, quando ouvi tocar a campainha do recreio. Então a estranha criatura deu meia volta, atravessou o pátio em direcção à nave, agora novamente iluminada, balouçou duas vezes para um lado e para o outro a enorme cabeça triangular e desapareceu pela porta metálica. O mesmo ruído e, depois, o silêncio. |